Confiar, entregar e parir: Quando o corpo assume o controle.

Sábado 08/02: tive uma diarreia ABSURDA – não consegui chegar no banheiro da minha própria casa, estando em casa. Achávamos que era uma gastroenterite, mas na verdade era o preparo do meu corpo para o parto. De madrugada saiu o tampão mucoso.

Domingo 09/02, acordei com o corpo ruim por causa da diarreia, comi como se fosse gastroenterite mesmo. Tomei soro oral, hidratei… Depois do almoço, o marido falou para a gente ir dormir (parece até que foi um feeling dele). Ele disse depois que, enquanto estávamos dormindo, ele escutou um barulho vindo de mim (como se fosse um estalo) – descobrimos depois, quando eu acordei, que era a bolsa estourando. Eu estava num sono profundo, não ouvi nem senti nada.

Quando eu acordei, vi que ele não estava no quarto, levantei e fui até a sala. Começou a escorrer um líquido na perna – não era xixi e nem tinha cheiro de água sanitária – mandei mensagem no grupo da equipe de parto com minha médica, enfermeira obstétrica, fisio pélvica e fotógrafa. Eu estava sem contração, coloquei uma fronha para verificar o líquido (pela orientação da Dany, enfermeira obstetra). Depois de 30min, confirmado que era bolsa rota – me orientaram a pegar tudo, tomar banho e ir para o hospital, porque como eu não estava tendo contração, teríamos que induzir. Meu marido ligou para o meu sogro levar a gente e, enquanto ele estava a caminho, pintei as unhas da mão. Minha mãe veio para minha casa para ficar com as cachorras e fomos para o hospital.

Chegamos lá com um pouco de adrenalina, porque só tinha uma vaga (e eu queria que fosse no Neocenter – minha médica, Marcinha, foi para lá tentar nos ajudar e esperar pela gente). Além disso, não comentei, mas tanto a Dany quanto a Marcinha estavam retornando das férias nesse dia (e elas falaram mesmo que o Theo iria esperar por elas). Deu tudo certo, conseguimos a vaga. Fomos para o quarto, começamos a 1ª indução com 2cm de dilatação – estava tudo lindo, começaram umas cólicas e contrações tranquilas. Inclusive, consegui pintar as unhas do pé.

Deitei, vi TV, relaxei, até começar a 2ª indução (ainda com 2cm de dilatação). Uma hora depois de colocar os comprimidos, eu pedi a Dany para me ajudar com a dor, e fomos para a bola debaixo do chuveiro porque estava intenso.

Fiquei 1h30 debaixo do chuveiro, perguntando para a Marcinha como era a anestesia e depois como era cesária – as informações me acalmam e me fazem raciocinar desviando do foco da dor (mas não nego que passou pela minha cabeça ir para a cesária só para acabar com as dores que eu estava sentindo, porque não eram mais as cólicas na região de cólica menstrual, estavam indo para o ânus e cada vez mais intensas – parecia que tinham ossos quebrando nessa região).

Comecei a conversar com a Marcinha para tomar a decisão. E no fundo nós duas sabíamos que eu queria parir via vaginal, mas eu estava com medo da dor. Então, fomos tentar a anestesia primeiro – a dilatação estava 4cm e as contrações quase de 1 em 1min (Marcinha e o marido apertavam a minha pelve – era a única coisa que aliviava um pouco, nenhuma outra das massagens que aprendemos funcionou, e eu também não consegui rebolar igual a Shakira entre as contrações).

Mudamos do quarto de indução e fomos para o quarto de parto. Eu sentei no chão com meu marido, porque não estava sabendo lidar com aquela dor. Falei que não queria mais aquilo, que eu não estava dando conta. Marcinha pegou na minha mão, pediu para eu sentar na cama e não desesperar, porque a enfermeira e anestesista já estavam chegando. Me apoiou falando que, ao fazer a anestesia, iria passar.

A enfermeira que foi fazer o acesso do soro errou 6 veias minhas – falava toda hora que era por causa da desidratação (e nisso eu tendo as contrações cada vez mais intensas na região anal e urrando de dor – a última vez que eu gritei de dor foi quando estirei meus ligamentos do tornozelo). Aí na 6ª veia ela falou que ia pedir para a anestesista. A anestesista chegou e acertou de primeira e depois fez a anestesia. Detalhe: eu estava de tapping nos paravertebrais, tivemos que tirar para fazer o acesso para a anestesia (a quiropraxista tinha colocado na quarta, era madrugada de segunda – ou seja, a cola estava forte, mas com a ajuda da Marcinha tiramos sem ter problemas).

Depois da 5ª contração após a anestesia, melhorou bem, conseguia respirar e consegui dormir por 1h. Acordei com as pernas dormentes, porém com a mesma dor e intensidade de antes na região já citada. Acordei berrando “JESUUUUUS!!”, o marido, que estava no quarto comigo, acordou assustado, a pressão dele caiu, ele teve diarreia e a equipe deu o suporte. Pedi mais anestesia, a anestesista veio e avisou que com mais anestesia o parto poderia demorar mais um pouco, mas eu pedi mesmo assim, porque estava muito forte a intensidade, não era frescura. Então ela aplicou mais um pouco. Com isso, Marcinha e Dany ficaram comigo no quarto; o marido ficou do lado de fora, porque ficou com medo de eu perguntar para ele “o que você acha que eu faço?”, pois ele me viu sofrendo de dor e não queria ver mais.

Aí conversei com a Dany e Marcinha, elas me orientaram a parar de pensar cientificamente (eu sou professora da área da saúde – acho difícil não pensar cientificamente, e quando eu entendo o processo eu me acalmo; expliquei que era mais para isso, mas que eu iria fazer o possível e tentar só viver o momento, sem raciocinar – mas a dor estava me consumindo mesmo).

Aí eu dormi de novo (rezando muito para que o bebê descesse e desse tudo certo), acordei 2h depois, com a Marcinha falando para fazer o toque. Quando ela fez, SURPRESA, ele já estava na porta de saída, e ela me perguntou se eu queria sentir. Aí eu coloquei a mão e senti o cabelinho dele. Ficamos MEGA felizes, porque afinal, tínhamos conseguido! E também lembramos de quem? Da fotógrafa. Ainda não tínhamos chamado, porque no último toque estava com 4cm de dilatação, e o combinado era avisar com 6cm.

A Poly (fotógrafa) disse que estava a 1h de lá praticamente, por causa do trânsito. Eram 08h40 mais ou menos. Ela disse que ia pedir a backup dela para ir iniciar as fotos e depois ela continuava. Enquanto isso, eu comi biscoitos de chocolate, pedi uma coca normal gelada e me maquiei. Marcinha e Dany colaram os cartazes que fiz com frases e fotos de pessoas próximas e queridas na parede e avisaram ao marido – que voltou para ficar com a gente.

A backup (Gabi) chegou em 10min depois que falamos com a Poly e aí começamos o parto na banqueta, contando casos e rindo bem. Vinham as contrações, eu fazia força, sentia ele descendo devagar e voltávamos a contar casos.

Foi assim, até ele coroar de vez (ARDE, mas nada era comparado com a dor das contrações que eu senti na região anal, então estava achando aquele ardido tranquilo – porque mesmo com anestesia, eu sentia essa região e que as contrações estavam acontecendo. Inclusive, esse ardido me lembrou de quando se faz massagem pélvica sem lubrificante, só que mais intenso). Eu estava vocalizando a força do expulsivo, segurando a mão da Dany (com muita força), mas Marcinha e Dany pediram para eu aumentar mais a vocalização – então eu falei que eu ia gritar “galopeiraaaa” e depois comecei a berrar para empurrar – não por dor como antes (achei que fez TODA a diferença!). E aí chegou uma hora que eu senti saindo assim: “caabeeeeeeeeeeeeeeeeeça…… ombro/barriga/pernas/pé”.

E aí a Marcinha me entregou e o marido se emocionou. O baby deu um grito e parou assim que encostou no meu peito. O marido cortou o cordão umbilical. Marcinha ajudou a remover a placenta (achei bem tranquilo), e a Dany fez a impressão. Tive escoriações nas laterais e grau I na parte inferior (eu senti acontecendo na hora do parto). Marcinha deu pontos, e depois fiquei com o baby e tiramos mais fotos – agora com a Poly.

Agradeço a Deus e à vida por terem colocado essa equipe de mulheres maravilhosas e fodas em meu caminho! Se não fossem elas me apoiando, me conhecendo e confiando em mim, meu parto poderia ter ido para um outro caminho. E meu parto foi muito melhor do que eu esperava. Obrigada, vocês têm um lugar muito especial em nossos corações.

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